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Disciplinas

Neste desporto, uma das disciplinas a destacar é a escalada desportiva. Esta consiste na escalada livre sobre rocha ou estrutura artificial de escalada (EAE), isto é, em que se utilizam só as mãos e os pés para progredir e não o material. Nesta variante da escalada utilizam-se protecções fixas (spits, pernos ou tensores químicos) que foram colocadas previamente na parede e que dispõem de uma alta resistência para deter as possíveis quedas dos escaladores. Foi na década de 80 que surgiu o conceito de escalada desportiva, a qual também é conhecida como escalada de dificuldade. Nela procura-se superar a máxima dificuldade, sempre com o máximo de segurança. Com o intuito de definir uma escala de graduação da dificuldade, utiliza-se em Portugal a escala alfanumérica francesa que vai, actualmente, até ao difícil 9b.

Quando se escalam vias em rocha, geralmente com mais de um lanço de corda e sem qualquer equipamento permanente ao longo de toda a sua extensão, apelida-se de escalada clássica. Os pitões, os entaladores passivos e mecânicos, pontes de rocha e outras saliências são utilizados como pontos intermédios e finais de segurança. Para evitar a queda no solo e para realizar manobras de descida, torna-se indispensável o uso de equipamento de protecção individual (corda, arnês, mosquetões, etc.), tal como na escalada desportiva. O mesmo se passa com a graduação. A escalada é realizada em livre, podendo ter algumas passagens em artificial.

Se na escalada livre se utilizam apenas protecções que não danificam a rocha, a escalada apelida-se também de limpa. Estas protecções, apenas possíveis de utilizar/colocar em fendas e certas rugosidades da rocha dividem-se em duas grandes categorias: entaladores (passivos) – pequenas cunhas metálicas de várias medidas, unidas por um cabo de aço ou cordeleta – e entaladores mecânicos – como é o caso dos friends. Todas estas peças não danificam a rocha como os pitões e são mais rápidas de colocar e extrair da rocha. As razões para a prática da escalada limpa podem ser não só de carácter ecológico ou ético como de satisfação pessoal, utilizando o sistema mais puro de protecção. Esta "filosofia" de escalada surgiu no início dos anos 70 no vale de Yosemite, nos EUA.

A escalada artificial é uma forma de progressão em rocha em que se utilizam as protecções fixas ou mecânicas para que o escalador possa progredir, quando a passagem em livre é muito difícil ou impossível. É claramente uma disciplina que torna o tempo de subida bastante moroso. O uso de equipamento de protecção individual (EPI) coincide com os outros tipos de escalada já referidos. No entanto, alguns materiais foram exclusivamente criados para esta forma de progressão (vários tipos de micropitões, copperheads, unhas e ganchos). O estribo (pequena escada de fita com 3 a 5 degraus) é a peça de equipamento mais característica. A escala de graduação da dificuldade inicia-se em A0 (pouco difícil) e termina em A6 (extremamente difícil).

 

À escalada de grandes vias existentes em colossais paredes de rocha, chama-se escalada de grandes paredes ou, simplesmente, big wall. Pode considerar-se uma via de big wall quando uma vertente rochosa possua uma linha de escalada com algumas centenas de metros de altura. Normalmente é necessário conjugar vários passos ou lanços de escalada livre com escalada artificial. O bivaque suspenso na parede, durante um ou mais dias, é uma exigência que depende da extensão da via e/ou experiência da cordada (conjunto de escaladores unidos por uma corda). O elevado número e a diversidade de equipamentos, o domínio de várias técnicas de progressão e uma boa logística para uma autonomia eficaz é indispensável para o sucesso deste tipo de ascensão. A graduação para a escalada de big wall é a utilizada para a escalada livre e artificial. Pode considerar-se que 1957 e 1958 foram os anos do nascimento do big wall, após a realização da via The Nose, na parede de El Capitan, no vale de Yosemite, nos EUA.

Quando a escalada em livre e/ou artificial é realizada com segurança autónoma, isto é, sem a utilização de um companheiro para fazer segurança, é apelidada de escalada em solitário ou simplesmente em solo. A sua prática exige um elevado nível de conhecimentos no domínio dos equipamentos concebidos especificamente para esta disciplina (Silent Partner, Soloist ou Solo Aid), de técnicas de subida e descida por corda fixa, bem como uma elevada motivação, grande capacidade de tolerância ao esforço físico e ao ambiente de isolamento. Possui um elevado compromisso, já que o escalador se vale apenas de si próprio. Desenrola-se geralmente em grandes paredes, sendo, por vezes, necessário pernoitar em pleno itinerário. É uma disciplina escolhida apenas por escaladores muito experientes.

A escalada de bloco ou bouldering consiste na escalada livre em pequenos blocos de rocha natural ou em EAE semelhantes ou não a blocos. Devido à proximidade ao solo, não é necessário utilizar qualquer EPI para evitar a queda, já que o escalador pode saltar com uma relativa segurança para o chão. Os pés-de-gato e o saco de magnésio são os únicos equipamentos a utilizar durante a curta escalada. Para amortecer a recepção ao solo, utiliza-se geralmente um colchão (o crash pad), especialmente concebido para esta disciplina. Caso exista a possibilidade do escalador poder vir a sofrer uma queda desamparada, frequente nos movimentos mais extremos, pode e deve ser auxiliado por um companheiro, o “guarda-costas”, que o “guia” para uma posição de “aterragem” mais segura. Embora semelhantes, as escalas de graduação da escalada desportiva e do bloco diferem na dificuldade efectiva que cada grau representa. No bloco, existem duas principais escalas de graduação utilizadas em todo o mundo, a americana de Hueco Tanks que tem início em VB (para principiantes) até V15 (nível extremo de dificuldade) e a de Fontainebleau, França, que se inicia no 4a e termina actualmente em 8c (o mais difícil). Uma sequência de movimentos de bloco denomina-se “problema”. A escalada de bloco, como disciplina independente, surgiu, nos anos 50, nos EUA.

À escalada em gelo denomina-se a escalada que é efectuada sobre cascatas de gelo ou pendentes de gelo ou neve dura. Nesta disciplina aplica-se a técnica de piolet tracção em conjunto com os crampons. A sua prática decorre habitualmente no Inverno em regiões de montanha ou áreas geladas. Para uma prática segura exigem-se consideráveis conhecimentos sobre a utilização de equipamentos específicos para utilizar neste meio (corda dupla, pitões de gelo, equipamentos dissipadores de energia) mas também, conhecimento das características de gelo, meteorologia, salvamento em glaciares, etc. Na escalada em gelo, a temperatura deste tem um efeito determinante. A escala de graduação da dificuldade utilizada nesta disciplina da escalada avalia o grau de compromisso, do I (baixo) até ao VII (elevado), e a componente técnica, de 1 (baixo) a 8 (elevado). A estas graduações podem ser adicionadas letras que permitem melhor caracterizar a dificuldade de uma determinada via. Por exemplo, X – risco de derrubamentos, estrutura frágil e R – gelo escasso, troços delicados. A graduação numérica poderá ser precedida por WI (Water Ice) para as cascatas de gelo; AI (Alpin Ice) para gelo alpino e M para a escalada sobre terreno misto (com rocha e gelo) ou drytooling. Apenas se considera que o escalador realizou em livre uma via em gelo, quando não se tenha pendurado nas protecções intermédias ou nos piolets para descansar ou progredir.

A escalada mista é uma escalada que decorre sobre zonas de gelo alternadas com passagens de rocha. É uma prática que exige a aplicação de técnicas e equipamentos  de escalada em rocha, bem como de escalada em gelo, como piolets, crampons, pitões de gelo e rocha, entaladores passivos e mecânicos, etc.

O drytooling é uma escalada em rocha que recorre ao uso de piolets e de crampons, "ferramentas" inicialmente concebidas apenas para a escalada em gelo. A palavra define assim o uso de "ferramenta em seco", ou seja, em contacto com a rocha e não com o gelo. Considera-se que este tipo de escalada surgiu nos EUA em 1994, quando Jeff Lowe realizou Octopussy, a primeira via de graduação M8. Considera-se que o escalador realizou uma via em drytooling quando não utiliza qualquer protecção intermédia para descansar ou progredir. A graduação é a mesma que na escalada clássica, e se existe a presença combinada de gelo e rocha adiciona-se a letra M. No caso do passo chave ou crux se encontrar na rocha, a dificuldade pode ir de 1 (dificuldade baixa) a 10 (alta dificuldade).

 

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